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'Crime ambiental', classifica o coordenador de comitê de bacias hidrográficas em Brumadinho

30 de Janeiro de 2019 15:44:00


“Isso não é uma tragédia, é um dos maiores crimes ambientais que já tivemos”, afirmou o coordenador geral do comitê de bacias hidrográficas (CBH) do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignamo, em coletiva na manhã desta quarta-feira, em Brumadinho, na Grande BH. 

Membros de Comitês de Bacias Hidrográficas em visita técnica à cidade estão preocupados com a possibilidade de novas tragédias como a do rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale em Córrego do Feijão, na sexta-feira, e que deixou ao menos 84 mortos e centenas de desaparecidos, além de desabrigados.

Na fala à imprensa, além da Vale, o coordenador atribuiu a culpa pelo desastre ao poder político. “Queremos dizer da responsabilidade de todos: empresa, estado e poder político. Passaram três anos e estamos aqui falando o mesmo do mesmo e ouvindo declarações quase as mesmas das mesmas. É inadmissível que continuemos fazendo esse tipo de política pública. Não há qualquer empreendimento econômico que justifique a perda de pessoas, de rio, de biodiversidade, da cultura e da esperança”, concluiu.

O coordenador elogiou a decisão da mineradora de acabar com 19 barragens construídas a montante, espalhadas por Minas Gerais, mas lamentou que a medida tenha chegado atrasada três anos e voltou a condenar as escolhas das autoridades políticas. “Nunca foi uma decisão de tecnologia, sempre foi uma decisão política e econômica.”

Por fim, ele pediu ao governo do estado que também tenha atenção com as barragens que não são da Vale. “Queremos cobrar do Estado. Tem outras mineradoras que também têm barragens a montante aqui nesse estado [MG]. Qual vai ser a atitude do estado em relação a esses barramentos? Não basta ficar se justificando, nós queremos atitude.”

Outros desastres

“Primeiro prestamos solidariedade às vítimas, que tanto sofrem. Mas temos de alertar que não foi só aqui em Brumadinho que esse tipo de coisa ocorreu. Houve o rompimento de barragem em Barcarena, no Pará (em fevereiro de 2018), e também o vazamento do mineroduto que liga Minas ao Espírito Santo (em Santo Antônio do Grama, em março). Precisamos dar um basta nisso”, diz o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica da Bacia do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, que defende “tirar da gaveta a Lei Nacional de Recursos Hídricos” para que novos desastres não ocorram.

O desastre de 2015, em Mariana, matou 19 pessoas, toneladas de peixes e deixou cerca de 392 quilômetros quadrados de área marinha contaminados pelos rejeitos. No caso da barragem do Fundão, a estimativa é de que a natureza demore cerca de 100 anos para eliminar os rejeitos no oceano. 

Paraopeba

O Rio Paraopeba, um dos afluentes do São Francisco, foi bastante atingido pela lama da barragem da Vale, que soterrou dois córregos próximos. Uma das preocupações das autoridades agora é que os rejeitos não cheguem ao Rio da Integração Nacional, pois as consequências seriam terríveis.
“Esperamos que a empresa cumpra a promessa de instalar telas próximas a Pará de Minas e também que a lama se dissolva antes de chegar à barragem de Três Marias. Já estamos tranquilizando as populações de Pernambuco, Sergipe e Alagoas, mas também atentos ao desenrolar dos fatos”, afirma Miranda.
Já Winston Caetano, o Tito, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, alerta para o risco à saúde das pessoas o consumo de água nas áreas atingidas. “Não é recomendável o uso nem para irrigação”, declara.

Fonte: Estado de Minas


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