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Juíza usa secador para recuperar processos após chuva atingir Fórum

10 de Fevereiro de 2015 14:41:50


Ao chegar para trabalhar na última sexta-feira, 6/2, a juíza Soraya Brasileiro Teixeira, titular da 10ª Vara Cível de Uberlândia, se deparou com pilhas de processos molhados pela chuva durante a madrugada.

Para tentar recuperá-los, ela promoveu um mutirão que usou como recursos ventiladores e até secadores de cabelo.

Ao portal G1, Soraya Brasileiro disse que, desde que assumiu a titularidade da 10ª Vara, em 2012, foi informada da existência de um problema crônico no telhado do prédio que sedia o Fórum. “Tendo em vista que o espaço do gabinete é pequeno, muitos processos são colocados no chão ou sobre os escaninhos. Com a chuva desta sexta, começou a minar água em grande quantidade em buracos existentes no gesso e inundou o local, molhando inúmeros processos”, contou.

Para resolver o problema de forma imediata, a juíza afirmou que vai comprar, com o próprio dinheiro, lonas para cobrir processos e máquinas. “Estou preocupada com o fim de semana que inicia e o feriado prolongado da semana que vem. Não há conserto, sabemos. Não há perspectiva de que a obra do Fórum novo se conclua. Não há o que fazer”, acrescentou.

Essa não foi a primeira vez que o Fórum de Uberlândia sofre prejuízos por conta de problemas no telhado. Anteriormente, segundo a própria juíza, a comarca já havia perdido um teclado que se queimou devido a água escorrida das goteiras. “Esse teclado foi encaminhado para o Tribunal com pedido de substituição e só foi trocado depois de seis meses. Durante este tempo, uma estagiaria trazia o [teclado] particular dela para o serviço não ficar paralisado”, contou Soraya ao G1.

Em outra situação, ante ao problema das goteiras, um estagiário criou um balde suspenso para evitar que a água caísse nos processos e equipamentos.

Para a juíza, a falta de estrutura acaba sendo um desestímulo para realizar o trabalho. “Estou vendo o sucateamento proposital do judiciário, que é o único Poder da Federação verdadeiramente capaz de preservar direitos. Um salário defasado há dez anos, acúmulo de processo, falta de estrutura material e humana, tudo isso me faz sentir nadando contra a corrente e isto cansa e desestimula”, desabafou.

Situações como esta justificam o fato de, há tempos, o SERJUSMIG vir insistindo na campanha de valorização da 1ª Instância em Minas Gerais. “Não é justo, muito menos digno, que nossos Servidores tenham que se acostumar a trabalhar em condições insalubres, diante de soluções improvisadas. Mais do que colocar em risco a saúde dos próprios trabalhadores, o TJMG está comprometendo de forma definitiva a qualidade da prestação jurisdicional”, afirma Sandra Silvestrini, presidente do SERJUSMIG.

Segundo Sandra, 2015 será um ano em que uma das principais bandeiras do Sindicato será a valorização dos Servidores e, principalmente, a luta para que o Fundo do Poder Judiciário seja usado para o fim para o qual foi criado: a melhoria da infraestrutura dos Fóruns e Secretarias, o que vem sendo reiteradamente esquecido pelo TJMG.


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