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Polícia confirma terceira morte por síndrome nefroneural em BH

16 de Janeiro de 2020 11:13:58

 

A Polícia Civil confirmou, na manhã desta quinta-feira (16), a terceira morte provocada pela síndrome nefroneural em Belo Horizonte. A doença tem sido vinculada ao consumo da cerveja artesanal Belorizontina, da fabricante Backer.

A vítima é um homem de 89 anos, que não teve a identidade divulgada até a última atualização desta reportagem. O paciente morreu no Hospital Mater Dei, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, por volta das 2h50. O corpo deve passar por exames e perícia no Instituto Médico-Legal (IML).

Hospital Mater Dei, no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte — Foto: Alex Araújo/G1
Hospital Mater Dei, no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte — Foto: Alex Araújo/G1

Resumo:

  • Uma força-tarefa da polícia investiga 18 notificações de pessoas contaminadas após consumir cerveja; três morreram;
  • Os sintomas da síndrome nefroneural incluem náusea, vômito e dor abdominal, que evoluem para insuficiência renal e alterações neurológicas;
  • O Ministério da Agricultura identificou sete lotes de cerveja da Backer contaminados com dietileglicol, um anticongelante tóxico;
  • A Backer nega usar o dietilenoglicol na fabricação da cerveja;
  • A cervejaria foi interditada, precisou fazer recall e interromper as vendas de todos os lotes produzidos desde outubro;
  • Diretora da cervejaria disse que não sabe o que está acontecendo e pediu que clientes não consumam a cerveja.

Nesta quarta-feira (15), a segunda morte pela síndrome havia sido confirmada. Trata-se de Antônio Márcio Quintão de Freitas, de 76 anos. O corpo dele deve ser enterrado às 11h desta quinta-feira. Permanece sob investigação a morte de uma mulher em Pompéu, Região Centro-Oeste do estado.

A primeira vítima da síndrome a morrer foi Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Ele estava internado em Juiz de Fora e morreu em 7 de janeiro.

Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu em Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu em Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Sintomas e tratamento

Ministério da Saúde investiga síndrome nefro neural em Minas Gerais  — Foto: Reprodução/TV Globo
Ministério da Saúde investiga síndrome nefro neural em Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

Entre os sintomas da síndrome nefroneural estão alterações neurológicas e insuficiência renal. De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Lilian Pires de Freitas do Carmo, os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.

Ministério aponta novos lotes de Belorizontina, da Backer, contaminados — Foto: Danilo Girundi/TV Globo
Ministério aponta novos lotes de Belorizontina, da Backer, contaminados — Foto: Danilo Girundi/TV Globo

Dietilenoglicol em sete lotes

Nesta quarta-feira, o Ministério da Agricultura informou ter identificado em sete lotes de cerveja produzidos pela Backer contaminação com a substância tóxica dietilenoglicol. Os lotes contaminados são:

 

  • Belorizontina: L2 1354, L2 1348, L2 1197, L2 1604, L2 1455, L2 1464
  • Capixaba: L2 1348

Casos investigados

Cidades onde foram notificados sintomas de intoxicação — Foto: Editoria de Arte/Globo
Cidades onde foram notificados sintomas de intoxicação — Foto: Editoria de Arte/Glob

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) afirmou, nesta terça-feira (14) que os 17 casos investigados pela pasta atingem pessoas de Belo Horizonte e de outras cinco cidades do estado, conforme mostra o mapa acima. A Polícia Civil trabalha com 18 casos.

'Não bebam a Belorizontina'

O Ministério da Agricultura determinou na segunda (13) que todas as cervejas da marca sejam recolhidas e que seja suspensa a venda de produtos. A medida é válida para qualquer rótulo da cerveja, além dos chopes, fabricado entre outubro de 2019 e janeiro. A Backer informou que pediu mais prazo à Justiça para fazer o recall. 

A diretora de marketing da Backer, Paula Lebbos, pediu em entrevista coletiva nesta terça-feira (14) que as pessoas não consumam a cerveja alvo da investigação. A orientação vale também para a cerveja Capixaba, que é produzida no mesmo tanque e possui a mesma fórmula da Belorizontina, porém com rótulo diferente.

O que estou pedindo é que não bebam a [cerveja] Belorizontina, qualquer que seja o lote. Eu não sei o que está acontecendo", disse ela.

O início desta tarde desta terça (14), a Polícia Civil e o ministério vistoriaram novamente a cervejaria Backer no bairro Olhos D'Água, na Região Oeste de BH. Nesta quinta-feira, a fábrica seguia interditada.


Processo cervejeiro — Foto: Arte/G1

Fonte: G1 - Minas


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