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Coronavírus: como o colapso em uma cidade de Minas serve de exemplo

29 de Junho de 2020 10:32:53


Um desabafo do diretor técnico de um hospital em Minas Gerais se alastra pelas redes sociais desde o início da semana, chamando a atenção pelas palavras duras e previsões sombrias dirigidas pelo médico à população do município. Com base no apelo, convocamos o cartunista Quinho e ele desenhou, para quem ainda não entendeu como o coronavírus pode colapsar estrutura de saúde e ameaçar a todos.

O vídeo original foi gravado em Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, por Luís Cláudio Mendes do Valle, que dirige o Hospital César Leite, referência para casos graves de COVID-19 na região.

O motivo do alerta vem dos leitos de terapia intensiva praticamente lotados de pacientes e da situação de descontrole na movimentação de cidadãos e funcionamento do comércio, que se reflete no iminente esgotamento na saúde.

“A nossa estrutura hospitalar não aguenta a balbúrdia social que está na nossa cidade. Pelo amor de Deus, revejam os conceitos, freiem essa cidade, porque nós não vamos ter condição de atendê-los se assim continuar”, afirma o médico, durante declaração gravada em vídeo.

O hospital que ele dirige funciona em parceria com a Prefeitura de Manhuaçu, que cedeu os respiradores para que a unidade montasse leitos de UTI. São 10 estruturas do tipo e outras 23 de enfermaria, disponíveis há quase três meses, segundo a administração municipal.

Até terça-feira, 100% dos leitos para pacientes mais graves estavam ocupados. Na quarta, um paciente recebeu alta e outro faleceu. Com isso, duas unidades de terapia intensiva ficaram liberadas. Pouco, para uma cidade que em 90 dias foi do primeiro infectado pelo coronavírus à beira do colapso no sistema de saúde, inclusive com médicos infectados e um deles já internado em UTI.

Em entrevista ao Estado de Minas, o diretor detalhou os desafios da unidade de saúde, diante da pandemia e do que considera descontrole na postura de cidadãos e comerciantes locais. 

Os alertas parecem começar a surtir efeito: o hospital recebeu, na sexta-feira, respiradores enviados pelo governo de Minas para ampliar a oferta de leitos, mas ainda aguarda monitores multiparâmetros.

Fomos à prefeitura na última segunda-feira para fazer um apelo para o conselho gestor de crise tentar dar uma freada na cidade, porque está havendo um abuso da população, que parece que não entendeu a gravidade da situação do estado. Alertei aos gestores e à população que um terço dos óbitos do estado ocorreu nos últimos 10 dias, o que mostra a agressividade da crise. O não uso de máscara e as aglomerações fizeram o número crescer”, contou Luís.

Fonte: Estado de Minas / Foto: Reprodução


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