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Trabalho resgata autoestima e reforça identidade

11 de Abril de 2016 16:10:27


Monte Carmelo. A Associação Luta Pela Vida (ALPV) fica em frente à casa em que Vera e Osvaldo moravam no bairro São Sebastião, em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba. Além do almoço servido às 10h, para as crianças que estudam à tarde, e às 11h30, para as que chegam da escola, uma biblioteca, uma sala de atendimento médico inaugurada na última sexta-feira, um pula-pula e uma mesa enorme para as refeições – tal qual coração de mãe, em que sempre cabe mais um – também estão disponíveis.

São 70 as crianças cadastradas de 0 a 13 anos, mas o número é flutuante, já que as portas ficam sempre abertas, até depois das refeições, de domingo a sexta – inclusive para bebês levados por seus tutores e adolescentes com mais de 13 anos, como Dáfina Giovana dos Santos, de 15. Criada pela associação desde pequena, ela engravidou depois que saiu de lá e acabou assistida novamente. Com o filho de 1 ano, ela vai ao local todos os dias para almoçar antes de ir para a aula, em uma vaga conseguida por Osvaldo. “Crescer aqui foi muito importante para mim. Eu não sei onde estaria hoje se não fosse isso”, conta a adolescente, que deseja ser professora para ajudar as crianças de Monte Carmelo.

Vera e Osvaldo também trabalham para resgatar o amor próprio dos pequenos, pois muitos vivem em lares desestruturados, com pais viciados em drogas ou negligentes. A diretora da escola onde as crianças estudam, Valéria Neri Reis, percebe o efeito do abandono familiar nelas. “Tem muitos casos de pais que largam de lado, e uma avó ou um tio toma conta. Tem criança que chega aqui, para nós, com toda essa carga, falando que os pais dizem que não gostam dela, que era melhor não ter nascido”, revela.

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E é isso que Osvaldo e Vera tentam reverter por meio da ALPV. “Quando chega gente de fora para visitar aqui, eles (os pequenos) ficam afoitos porque não se sentem gente. Eles acham que são diferentes dessas pessoas por causa da cor da pele, do bairro onde moram, da classe social. Mas a gente sempre mostra para eles que são iguais a qualquer pessoa daqui, de Belo Horizonte ou dos Estados Unidos. A retribuição é esse olhar deles de gratidão e de amor. Não tem dinheiro que paga”, diz Osvaldo.

Valores. Há dois anos, o casal passou a receber a ajuda de Maria da Glória Pereira de Souza, 64, e, recentemente, de Valéria dos Reis Rocha, 28. As duas dividem um salário mínimo para ajudar Vera na cozinha e olhar as crianças durante a manhã. É de Glória a missão de mantê-las quietas na mesa enquanto Vera cozinha, mas são as três que se descabelam durante os rompantes de euforia: uma visita nova, uma brincadeira mais efusiva, a correria em volta da mesa, a bagunça na pequena biblioteca e a falta de limite quando decidem passar o tempo na rua de terra brincando, esquecendo a escola.

Apesar de acharem Vera e Glória bravas, são elas que passam valores que deveriam ser ensinados dentro de casa por meio de regras ou de estímulos. Aqueles que faltam muito às aulas ou têm baixo rendimento na escola, por exemplo, não ganham presentes tão bons quanto os que se esforçam. E, assim, eles crescem aprendendo a estudar, esperar a vez para falar, não colocar os cotovelos sobre a mesa enquanto comem e respeitar os mais velhos. Para o casal que dedica a vida aos outros, ver, hoje, homens e mulheres criados ali estudando e trabalhando com dignidade é motivo de muito orgulho.

Bom exemplo que une gerações e gera frutos

As histórias das crianças do bairro São Sebastião se confundem, muitas vezes, com a de Osvaldo. Quando era pequeno, criado apenas pela mãe em meio à dificuldades financeiras, ele se lembra com carinho do médico Vivaldo Barbosa que, hoje, dá nome a recém-inaugurada sala médica da ALPV.

"A cidade era dos coronéis, e só quem tinha dinheiro podia ir ao médico. Como a gente era muito pobre, o dr. Vivaldo atendia a mim e a meus seis irmãos escondidos. Ele nos passava por um corredor, dava a receita dos remédios e ainda o dinheiro para comprá-los, além de um extra para minha mãe comprar comida. Se tinha alguém sofrendo na cidade, ele estava lá para ajudar", lembra.

Seguindo o exemplo, o filho de Barbosa, também médico e chamado de Vivaldinho Barbosa, é quem vai tirar duas horas da semana para atender gratuitamente as crianças de Osvaldo na associação. Essa é a primeira vez que a comunidade de São Sebastião terá uma unidade de saúde. 

"O Vivaldinho é como se fosse o meu irmão e está seguindo o caminho do pai. Esse exemplo de solidariedade que eu tive quando menino, com certeza ajudou na minha formação e nessa vontade de ajudar quem precisa, como fez o dr. Vivaldo", conta Osvaldo. 

Fonte: O Tempo


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